Brasília. O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), d. Geraldo Lyrio Rocha, afirmou ontem que a entidade não dará apoio a nenhum candidato à Presidência da República. "A igreja não se identifica com nenhum partido ou candidato", afirmou após encontro na manhã desta quinta-feira com a candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.
O encontro foi solicitado pela petista, a pedido do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, um dos principais interlocutores do PT com a Igreja Católica.
O secretário geral da entidade, d. Dimas Lara Barbosa, afirmou ainda que o fato de um candidato se afirmar como católico não necessariamente implica na defesa de sua candidatura. "Quando se está em eleições majoritárias é preciso ponderar as diversas propostas e estabelecer um critério que, afinal de contas, seja razoável na consciência do próprio eleitor",disse d. Dimas.
Aborto
Dom Geraldo afirmou que a posição da CNBB, contrária ao aborto, foi mais uma vez defendida na reunião com a ex-ministra, que não teria assumido nenhum compromisso diante do tema. "Fiz questão de expressar à candidata esse compromisso da CNBB, fazendo um apelo para que, se eleita, o seu governo se volte para a defesa da vida, desde a sua origem, o seu primeiro instante, até o seu término natural", afirmou o religioso.
O presidente da entidade pediu ainda empenho do governo no programa de construção de cisternas no semiárido, como forma de universalizar o acesso à água.
A CNBB também divulgou nota ontem criticando o Novo Código Florestal, proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). A entidade sugere maior debate com a sociedade civil antes de sua aprovação pelo Congresso Nacional. "Pois se as normas do Novo Código Florestal forem aprovadas em definitivo, estarão em desacordo com o compromisso de redução de gás carbônico, assumido pelo governo brasileiro em Copenhague, em dezembro de 2009", diz a nota.
Ficha Limpa
Já em relação a Lei Ficha Limpa, o Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (Consep) lamenta que alguns Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) não tenham aplicado plenamente a Lei e acredita que a Ficha Limpa ´nada mais fez que atender a uma necessidade de se fixar critérios objetivos para análise dos pedidos de registro de candidaturas´.
´Esperamos das instâncias do Poder Judiciário que têm a missão institucional de arbitrar as controvérsias em torno da aplicação da lei, marcadamente do Tribunal Superior Eleitoral e Supremo Tribunal Federal, o mesmo empenho efetivo que houve no Congresso Nacional na aprovação da iniciativa popular´, diz a nota da Consep.



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