Francisco Leandro, 22, e Jacinto Cosme, 21, serão ouvidos novamente pela Polícia. A mãe da empresária também prestará depoimento, para tentar descobrir qual deles foi o autor do disparo que atingiu a cabeça da empresária
O exame detectou resíduos de pólvora nas mãos de Francisco Leandro, 22, e Jacinto Cosme, 21. Segundo o delegado Alísio Justa, a Polícia ainda vai aguardar o exame de balística da arma e do projétil extraído do corpo da vítima, a fim de saber qual dos deles foi o autor do disparo.
A mãe de Marcela Montenegro prestará depoimento, para tentar descobrir qual deles foi o autor do disparo que atingiu a cabeça da empresária, em uma tentativa de assalto na noite desta segunda-feira, 8, na Cidade 2000.
Criança é transferida
O menino de 11 anos, envolvido no crime que vitimou a empresária Marcela Montenegro, na última segunda-feira, 8, foi encaminhado a um abrigo de proteção do Estado e se encontra sob proteção do Conselho Tutelar. O nome do lugar não foi informado.
Um casal que prestou depoimento na tarde desta quinta-feira, 11, no 15º Distrito Policial, reconheceu todo o grupo envolvido na tentativa de assalto, inclusive a criança.
Em depoimento, o casal, assaltado no último dia 28, também reconheceu a arma do crime, pois, segundo eles, os bandidos mantiveram-na o tempo todo no queixo do homem.
Velório e enterro
O movimento de familiares, amigos e, principalmente, de curiosos que compareceram ao velório da empresária Marcela Montenegro, que ocorreu na Funerária Ethernus, na rua Padre Valdevino (Bairro Aldeota), foi intenso.
O empresário Júlio Ventura, que esteve no velório, ficou impressionado com a família de Marcela, que sofria, mas não mostrava revolta. Júlio acha que são muitos os fatores para tanta violência. Ele se diz preocupado com um dos causadores desse quadro: o crack, que vem sendo disseminado entre crianças e adolescentes que acabam mergulhados no crime.
Após o velório, os familiares e amigos deram o último adeus a Marcela Montenegro no Cemitério Parque da Paz, no fim da tarde desta quinta-feira, onde foi enterrada. Um helicóptero sobrevoou o local e lançou pétalas de rosas na multidão. Centenas de balões azuis e brancos foram soltos em protesto pela paz.
Doação de órgãos
Os órgãos da empresária Marcela Montenegro, 35, morta depois de assalto na Cidade 2000, foram retirados na noite desta quarta-feira, 10, para serem doados a pelo menos quatro pessoas que aguardam na fila de espera para receber um transplante.
Um paciente do sexo masculino, de 54 anos, foi a primeira pessoa a ser beneficiada com um dos órgãos da empresária. Natural de Fortaleza, ele era o primeiro da fila de espera por um fígado. Portador de cirrose associada a um tumor hepático, era o mais grave paciente com tipagem sanguínea A, compatível com a de Marcela.
De acordo com o médico Huygens Garcia, chefe do Centro de Transplante de Fígado do Hospital Universitário Walter Cantídio, a cirurgia foi iniciada por volta das 21 horas de ontem, e entrou pela madrugada. Além do fígado, os dois rins, as duas córneas e o coração da empresária foram retirados.
Morte encefálica
A Secretaria de Saúde (Sesa) confirmou, na tarde de quarta-feira, 10, após nova realização de exames, a morte encefálica da empresária Marcela Montenegro, de 34 anos.
Os primeiros exames realizados na empresária na manhã de ontem apontaram existência de fluxo sanguíneo no cérebro, e, por isso, a família de Marcela havia cancelado o velório e a retirada de órgãos para doação, conforme informações publicadas no Blog do Eliomar.
O velório e o enterro deverão ocorrer nesta quinta-feira, segundo informações de familiares da vítima.
Depoimento
O adolescente de 17 anos, acusado de ter efetuado o disparo contra a empresária, na noite da última segunda-feira, 8, disse em depoimento que foi coagido por outro assaltante, de 21 anos, a atirar. Dois homens, dois adolescentes e uma criança de 11 anos são acusados de ter praticado o crime contra a empresária.
De acordo com o adolescente, o outro assaltante disse: “Atira, atira! Atira para ver se ela para”. Apesar de estar com a arma, o revólver 38, com registro no Estado da Virgínia (EUA), foi entregue por outro adolescente, de 16 anos, ao homem de 21 anos.
Em depoimento, o dono da arma afirmou que somente entregou a arma porque o assaltante alegou que estaria sendo ameaçado e que iriam tentar matá-lo naquela noite. A Polícia não acredita nessa versão, pois as investigações mostraram que o rapaz de 16 anos, mesmo nunca tendo sido apreendido ou flagrado em ação criminosa, costumava alugar o revólver.
Promotor critica procedimento dado à criança
O promotor de Justiça da Infância e da Juventude Odilon Silveira Aguiar Neto afirma que houve “um grande equívoco” por parte da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) no encaminhamento do menino de 11 anos envolvido no assalto à empresária Marcela Montenegro. Após ter chegado à DCA, ele foi devolvido à família. “No meu entendimento, ela deveria ter sido encaminhada ao juiz, ter convidado o Conselho Tutelar e, de imediato, ser aplicada uma medida de proteção”, explica o promotor.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece medidas de proteção que podem ser aplicadas quando a lei se depara com crianças com menos de 12 anos envolvidas em delitos. A legislação também determina que a autoridade policial responsável pela apreensão faça a comunicação imediata à autoridade judiciária competente e à família.
Abordagem
Ao voltar da igreja com a mãe na segunda-feira à noite, Marcela percebeu que estava sendo abordada por ladrões, acelerou o carro que conduzia, um Citroën, e foi baleada na cabeça. Marcela foi socorrida por uma ambulância do Samu já em estado grave.
O POVO Online











